Palhaço: Amor ou Temor?

Hoje tem marmelada? Tem sim senhor!

Quem na infância não sorriu ao ouvir essa pergunta? Sob lonas coloridas, em meio a picadeiros e animais, o circo fez a alegria de muitas gerações de crianças.

Apesar disso, hoje o mote deste artigo não é circo, mas sim o anfitrião do espetáculo itinerante, daquele que divide opiniões e que esconde toda e qualquer adversidade da vida em sorrisos maquiados de alegria e esperança para diversas crianças: o palhaço.

Um personagem infantil, inocente, travestido de roupas multicores, maquiagem exagerada e acessórios extravagantes, que faz a diversão da criançada há décadas, presente em festas de aniversário, propaganda, filmes de Hollywood e, ainda, levando conforto em hospitais para os aflitos. 

Mas por que falar deste tema? Tudo começou porque eu comprei uma máscara com um sorriso de palhaço (foto) e, desde que o uso deste acessório se tornou obrigatório, eu queria usar uma máscara divertida, para quando alguém olhasse para mim, eu pudesse arrancar um sorriso, mesmo sendo por um curto espaço de tempo, mas eu estaria levando um pouco de alegria neste período difícil que estamos vivendo.

E ao mostrar a minha foto para um grupo de amigos (04 amigos) no whatsapp, qual foi a minha surpresa? Dois deles, ou seja, 50% do grupo, disseram não gostar de palhaço e eu indaguei como alguém poderia não gostar de palhaço?! Palhaço é divertido, engraçado, alegre, mas eles não enxergam desta forma, acham que ele remete à tristeza, angústia, algo macabro e assim iniciamos um bate papo construtivo, relevante e foram levantadas questões que eu nunca havia  parado para pensar.

Eu amo os palhaços com os seus nomes divertidos, suas roupas coloridas, seus sapatos exagerados, seu nariz de bola vermelha (na maioria das vezes), toda a sua indumentária e sua criatividade nos improvisos. Eu sou de uma geração que havia muitos palhaços, tais como: Arrelia, Carequinha, Torresmo, Bozo, Atchim e Espirro.  Eu sempre vi o palhaço de forma positiva, tanto na minha infância, quanto na minha vida adulta. Valorizo muito o trabalho dos Doutores da Alegria nos hospitais do Brasil a fora, os benefícios de bem-estar físico, psicológico e social dos pacientes internados estão mais do que comprovados. Já tive a oportunidade de me vestir de palhaço e fazer um trabalho voluntário em um abrigo de crianças e foi extremamente gratificante, algo que tenho muita vontade de voltar a fazer.

Já meus amigos tem uma visão contrária da minha, eles acham que a maioria dos palhaços são tristes, depressivos, que não passam de um personagem que faz uma multidão feliz, mas que no fundo sentem uma enorme solidão e sofrem com suas dores. E eu em uma rápida reflexão do que estava sendo dito, me lembrei do filme Coringa (2019), no qual o personagem principal tem problemas psicológicos com uma risada descontrolada devido a distúrbios neurológicos, enfrenta diariamente conflitos de contexto social e acaba se tornando o vilão. Logo em seguida, me vem à mente uma música linda de Edith Piaf, “Bravo Pour Le Clown”, que conta a história de um palhaço que sabe que os aplausos não são para o seu talento e sim para sua tristeza. Ele mata a mulher que o traía e é confinado em um asilo e, na sua loucura, ele ouve um imenso aplauso que afoga toda a sua vida e onde ele pensa que é um rei. Lembrei também da morte inesperada de Robin Willians, do afastamento das telas do cinema do Jim Carrey e pesquisando rapidamente sobre esse tema, Freud já dizia que os comediantes contavam piadas como remédios para aliviar a ansiedade. 

Como disse a doida, mas letrada de uma amiga, palhaços nem sempre são felizes de fato. Embora eu ame o palhaço e suas diversas faces tenham a vida inteira me remetido à felicidade, reflito agora se de fato existe uma solidão por trás de um sorriso intenso e um nariz protuberante.

E por ter sido uma troca de ideia tão agradável, que me levou a refletir, concordar com algumas colocações e, acima de tudo, respeitar o posicionamento deles. Eu não poderia escrever esse artigo sozinha, ele foi escrito a 06 (seis) mãos, aqui teve um pouco do meu ponto de vista e um pouco do ponto de vista dos meus amigos.

E você respeitável leitor, qual o seu sentimento pelo Palhaço? Amor ou temor? 

Deixe o seu comentário, vou adorar saber. “Vai, vai, vai começar a brincadeira…” 

Abraços!

Escrito por: Patrícia Costa

Participação: Adriana Neimi

                         Daniel Cupertino

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Patrícia Costa

Sou Carioca, administradora com MBA em Marketing pela FGV. Iniciei a minha vida profissional como assistente de diretoria na área industrial e depois entrei no mercado de Telecom e desde então, nunca mais sai. Atuo há mais de 20 anos com gestão de pessoas, e digo, não é tarefa fácil, mas para mim é muito prazeroso, pois lidar com pessoas é sempre um aprendizado diário.

13 comentários em “Palhaço: Amor ou Temor?

  • 19 de julho de 2020 em 21:43
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    Nao tenho uma opiniao concreta formada sobre isso mas na maioria tbem acho os palhaços tristes.

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    • 19 de julho de 2020 em 22:58
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      Belo texto amiga Patrícia ! Gosto de palhaço ! Nunca me remeteu tristeza !

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      • 20 de julho de 2020 em 20:44
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        Adorei o texto, nunca parei para analisar esse lado triste do palhaço. Sempre me remeteu um personagem muito feliz e que deixa momentos inesquecíveis a muitos!

        Resposta
  • 19 de julho de 2020 em 22:43
    Permalink

    Palhaços nunca me deixou confortável…

    Entendo que não é igual para todo mundo.

    Resposta
  • 19 de julho de 2020 em 23:19
    Permalink

    Eu nunca fui fã de palhaços, mas com certeza você me arrancaria sorrisos com essa máscara, Paty! Aliás, quero recomendar “Bingo O Rei das Manhãs” que é um filme baseado na vida de um dos intérpretes do Bozo. Mostra bem esse lado sombrio do palhaço. Beijo!! Sáloa.

    Resposta
  • 20 de julho de 2020 em 08:03
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    Oi palhaça? Essa forma de tratamento vai ser bem interpretada ou não, dependendo da forma que foi dita e recebida.!Vai Depender do contexto né ? Então vejo assim essa historia… o recebedor do contato se mistura com o ativador. As duas histórias farão uma única dentro da original. Hoje na plateia podem ter várias delas!! Vale a pena vivê-las e senti-las!! Não é?

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  • 20 de julho de 2020 em 14:06
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    Minha Patinha Linda !

    Amei o texto e Amo palhaços ,mas como psicóloga entendo que independente do papel que escolha desempenhar ao longo da sua vida seja profissão ou pessoal,todo excesso esconde uma falta e a grande sacada é buscar o equilíbrio.

    Por mais artigo ! Amo vc❤🤝

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  • 20 de julho de 2020 em 14:11
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    Excelente texto.
    Tenho excelente lembrança do circo na roça, onde o palhaço levava a alegria as cidades do interior…
    Num tempo onde não se existia a internet e nem meios de TV com qualidade. As chegadas dos circos eram 1 grande novidade.

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  • 20 de julho de 2020 em 14:11
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    Amo palhaços e amo vc ❤ que não precisa nem dessa máscara pra ser uma palhaça!
    Mas como psicóloga nao posso deixar de perceber e pontuar que todo excesso esconde uma falta, sendo assim precisamos buscar o equilíbrio .
    Por mais textos sensíveis e humanizados como esse!

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    • 20 de julho de 2020 em 23:56
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      Achei interessante ! Discutível !. Mas , não a intenção do palhaço ou de quem se faz através da fantasia. O fato envolve sentimentos singulares ( há pessoas que não acham graça em nada , pessoas que tem verdadeiro ” pavor “de palhaço, de máscaras ) e por aí vai . Fora o momento interior de cada um. Enfim , gostei, você está se tornando uma colunista . 😂 👏🏽👏🏽👏🏽👏🏽👏🏽👏🏽

      Resposta
  • 20 de julho de 2020 em 23:55
    Permalink

    Achei interessante ! Discutível !. Mas , não a intenção do palhaço ou de quem se faz através da fantasia. O fato envolve sentimentos singulares ( há pessoas que não acham graça em nada , pessoas que tem verdadeiro ” pavor “de palhaço, de máscaras ) e por aí vai . Fora o momento interior de cada um. Enfim , gostei, você está se tornando uma colunista . 😂 👏🏽👏🏽👏🏽👏🏽👏🏽👏🏽

    Resposta
  • 21 de julho de 2020 em 12:41
    Permalink

    Uau. Muito boa reflexão.
    Adorei a máscara e concordo c quem disse q todo excesso esconde uma falta. Tento trabalhar c o caminho do meio. Nunca tive nenhum problema c palhaços mas admiro a profissão.
    Parabéns pelo texto.

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  • 21 de julho de 2020 em 22:38
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    Adorei o texto!! Nunca tinha parado pra refletir, mas quando penso em palhaços sempre lembro de coisas alegres! ❤️😍

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